Herói ou heroína?
- dejacy4
- 29 de jan.
- 3 min de leitura

Não é de hoje que eu ouço dizer que o amor tudo cura.
Será mesmo verdade? Parece tão clichê...
Entretanto, deixemos de lado por alguns instantes a ideia do amor romântico que vem, desde muito tempo, povoando o imaginário do ser humano. Idealizamos alguém, sonhamos, seja com um herói ou uma heroína, a quem atribuiríamos a pesada responsabilidade de nos salvar do nosso próprio caos.
Mas, não dá para ser assim. Já faz certo tempo que chegamos ao mundo e, assim sendo, com ou sem herói, precisamos viver de todo jeito, dando conta do nosso próprio caminho, de nossa identidade. Não parece insano esperar para ser feliz somente quando tivermos alguém ao nosso lado? E mais insano ainda, não seria adiar planos, oportunidades a custa dessa ansiosa espera? A escolha é sua.
Creio que antes de tudo, devemos começar pela tarefa mais árdua que é amar a nós mesmos. Sim, pura verdade e nada clichê, pois, é-nos mais fácil projetar no outro os nossos anseios, cobrar-lhe as nossas buscas, sufocá-lo com nossas carências. É do outro que, ingênua e injustamente, esperamos pelo nosso futuro, pela nossa realização.
Lembro aqui que o outro, tal como nós, também é imperfeito, também tem suas buscas e, sem dúvida alguma, há de cometer equívocos bem parecidos com os nossos.
Longe de mim, tornar-me agora assassino de poemas que sempre dizem que buscamos alguém que nos complete. Também creio nisso com toda certeza, porém, isso requer mente e coração abertos, respeito e responsabilidade.
Todos buscamos a complementariedade através do outro. Se iremos encontrá-la ao longo de nossas vidas ou não, já é outra história. Significaria isso que somos, por acaso, incompletos? De forma alguma. Somos grandes totalidades na busca de outras totalidades com quem possamos realizar trocas imensas durante nossa existência.
Falo de um amor maior, muito maior, do qual o romance não é mais do que um mero departamento. O verdadeiro romance, a verdadeira paixão começa por nós mesmos. Perceba que, se não for loucamente apaixonado por si mesmo, você jamais se entregará nos braços de alguém sabendo quem realmente você É.
EU TE AMO
Essas três palavras têm um peso gigantesco, pois, você não poderá ser leviano e terá que dizê-las olhando nos olhos e apenas quando verdadeiramente senti-las. A responsabilidade é grande, pois, você terá que acreditar no que está dizendo. Se já conseguiu isso, é sinal de que você já se amava ou suficiente para, então, oferecer e não pedir amor.
Você deve então, ter percebido que na sua totalidade, foi capaz de transcender o amor, dando a ele muitas outras mil utilidades. Você deve ter descoberto que pode amar a todos, a qualquer um, ou que pode e deve oferecer esse amor nas mais variadas formas e nos mais diversos momentos de sua vida.
O amor é mil coisas. Amor é olhar nos olhos do seu interlocutor e ser capaz de repetir o que ele lhe disse, provando tê-lo escutado. É sorrir para qualquer um, mesmo sem ter motivo. É não ter medo, já que ninguém escapa de, um dia, ter que encarar a dor. Mas, é, também, ter medo, pois, somente assim nos damos o direito de assumir as nossas fraquezas. É milagre que nos faz sentir vivos, integrantes de um mesmo mundo. Sim, o amor é cura, desde que você lhe respeite o devido espaço, a devida hora, compreenda a sua força e os seus milhões de nuances. O amor é silêncio...
Resgato em tempo o amor romance, o amor clichê. Nunca deixe de crer que o seu herói ou a sua heroína está por aí, em algum canto desse mundo, aguardando a hora de cruzar o seu caminho. Apenas não seja tão exigente, procure sempre ver além, pois, igualzinho a você, ele ou ela será perfeito na sua imperfeição.




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