Depressão
- dejacy4
- 4 de fev.
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Resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos, a depressão é um transtorno mental comum em todo o mundo (estima-se que mais de 300 milhões de pessoas sofram com ele), em geral caracterizado por tristeza profunda, perda de interesse, desânimo, baixa autoestima e alterações físicas como falta de apetite e insônia. Deste modo, afeta milhões de pessoas, interferindo na vida diária e exigindo tratamento profissional (psicoterapia e/ou medicação), o que torna a busca por ajuda é fundamental. Trata-se de uma condição diferente das flutuações usuais de humor e das respostas emocionais de curta duração aos desafios da vida cotidiana e, especialmente quando de longa duração e com intensidade moderada ou grave, pode se tornar uma crítica condição de saúde. De elevada prevalência, chega a causar grande sofrimento e disfunção no trabalho, na escola ou no meio familiar, e é a doença mental mais associada ao suicídio, tendendo a ser crônica e recorrente, principalmente quando não é tratada. Estima-se que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano - sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.
Pesquisas indicam que o risco de depressão resulta da influência de vários genes que atuam em conjunto com fatores ambientais ou outros. Embora alguns tipos de depressão tendam a ocorrer em famílias, também podem ser vítimas pessoas sem histórico familiar do transtorno. É importante salientar que nem todas as pessoas com transtornos depressivos apresentam os mesmos sintomas, e que a gravidade, frequência e duração variam dependendo do indivíduo e de sua condição específica. Dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que as perturbações de depressão são mais frequentes no sexo feminino, embora também afetem homens.
Dentre as causas mais frequentes podem ser citadas:
Genética: Estudos com famílias, gêmeos e adotados indicam a existência de um componente genético. Estima-se que esse componente represente 40% da suscetibilidade para desenvolver depressão.
Bioquímica cerebral: Deficiência de substâncias cerebrais, chamadas neurotransmissores - Noradrenalina, Serotonina e Dopamina - que estão envolvidos na regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor.
Eventos vitais: Eventos estressantes com potencial para desencadear episódios depressivos em indivíduos que têm uma predisposição genética a desenvolver a doença.
Quanto aos sintomas, é importante lembrar que, a depender da intensidade dos sintomas, um episódio depressivo pode ser categorizado como leve, moderado ou grave. Assim, um indivíduo com um episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar um trabalho simples e atividades sociais, mas sem grande prejuízo ao funcionamento global. Já durante um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas.
Transtorno depressivo recorrente: ocorrem repetidos episódios depressivos, durante os quais a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por pelo menos duas semanas. Muitos apresentam sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite, sentimento de culpa ou baixa autoestima e falta de concentração.
Transtorno afetivo bipolar: ocorre a alternância entre episódios de mania e de depressão, separados por períodos de humor normal. Episódios de mania envolvem humor exaltado ou irritado, excesso de atividades, pressão de fala, autoestima inflada e uma menor necessidade de sono, bem como a aceleração do pensamento.
Tratamento:
Antes de qualquer coisa, é importante salientar que exercícios físicos regulares, dieta equilibrada, boa higiene do sono e fortes conexões sociais ajudam na prevenção e tratamento complementar da depressão. Porém, existem tratamentos clínicos eficazes para depressão moderada e grave. A psicoterapia interpessoal associada ao acompanhamento psiquiátrico com medicamentos antidepressivos oferece, na atualidade, os recursos mais indicados. Entretanto, deve-se ter em mente, diante da possibilidade de efeitos adversos associados aos antidepressivos, a possibilidade de oferecer um outro tipo de intervenção que melhor atenda às necessidades e preferências individuais. Entre os diferentes tratamentos psicológicos a serem considerados estão os individuais ou em grupo, realizados por profissionais especializados. Contudo, é importante lembrar que os antidepressivos podem ser eficazes no caso de depressão moderada-grave, mas não são a primeira linha de tratamento para os casos mais brandos. Esses medicamentos não devem ser usados para tratar depressão em crianças, por exemplo, e não são, também, a primeira linha de tratamento para adolescentes, requerendo cautela ao utilizá-los.




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